Frustração ou Oportunidade?

Frustrações ou Oportunidades?
Hoje pela manhã, minha filha que tem 1 ano e 10 meses pediu água. Eu falei para ela pedir “por favor”, algo que ela consegue fazer já há meses. Mas hoje, por alguma razão, ela não quis falar. Ela balançou a cabeça firme e somente falou “não”. Eu olhei firme para ela e falei com uma voz mais firme, “Se você quiser água, você precisa pedir bonito. Fale ‘por favor’.” Ela continuou firme na sua posição de oposição e recusou falar um simples “por favor”.

O que estava acontecendo? Como pais, precisamos sempre discernir as circunstâncias para poder tratar com os nossos filhos com sabedoria. A questão em jogo com minha pequena não era uma simples palavra. Era o coração dela. A palavra não era importante. A obediência dela, sim, é muito importante. Eu percebi nesta situação pela atitude e a semblante dela que ela estava simplesmente querendo mostrar sua rebeldia. Ela queria seu copo de água, e eu tinha o copo, pronta para colocar nas mãos dela. Bastava uma só palavra, e ela conseguia o seu desejo. Mas ela não queria se submeter a minha autoridade.

O que eu ia fazer diante desta situação? A tendência dos pais é simplesmente ceder, especialmente quando a criança ainda está pequena. Eles pensam, “Ah, não é nada tão importante para causar uma briga. Coitada! Ela só quer tomar água.” E assim mesmo, acabando entregando o copo dágua nas mãos da criança, e assim, entregam juntos sua autoridade como pais. O copo de água realmente não é importante. Mas a obediência da criança, sim, é muito importante. A criança aprenderá com esta reação dos pais que a obediência não é muito importante. Basta ela resistir, que os pais vão ceder. Ela causará mais e mais lutas pela autoridade enquanto ela cresce, e o ambiente de casa ficará cada vez mais tenso.

Outros pais insistem por mais tempo. E a criança muitas vezes insiste também na rebeldia e desobediência. O problema é que isto causa muita frustração nos pais, que acabam se irando com a situação e levantam a voz, batem na criança, e no final das contas, alguns desistem, e outros conseguem o “por favor”, mas de uma criança não com uma boa atitude de obediência e respeito, mas de uma criança ainda rebelde dentro do coração, e agora mais que nunca sem respeito pelos pais. A situação não melhorou. Ainda que a criança ceder, se ela acaba emburrada, brava, e sentindo injustiçada, e os pais acabam frustrados e irados, ninguém ganha na confrontação. O relacionamento entre os dois fica tenso, e provavelmente o mesmo tipo de situação se repetirá com os mesmos resultados pobres. A criança continuará desobediente, os pais continuarão frustrados, e o ambiente de casa ficará cada vez mais tenso.

Não tem outra maneira? Tem, sim! A Palavra de Deus tem nos providenciado tudo que precisamos para ensinar nossos filhos no caminho que devem andar! O secreto é o seguinte: veja estas “lutas” não como frustrações para complicar o seu dia, mas como oportunidades de moldar o caráter do seu filho. É justamente assim que as crianças aprendam! Eu queria tanto que tivesse outro jeito, como de só explicar que era melhor assim, e eles entender e nunca precisar testar os limites. Mas, infelizmente, não é assim que aprendam. Pelo contrário, eles precisam passar por milhares de situações como a de cima, onde você, o pai ou a mãe, tem a oportunidade de ensinar os princípios bíblicos de respeito, obediência, domínio próprio e bondade. Quando entendemos este conceito, podemos ver os desafios que todos os pais têm todos os dia com os nossos filhos, como oportunidades de ensinar, inculcar a Palavra, moldar o caráter e reforçar um bom relacionamento entre pais e filhos. Invés de pensar, “Ai, de novo?!?” devemos pensar, “Que bom! É tempo para mais uma lição!”

Então, voltando para a cena que descrevi acima, como que eu fiz com minha pequena? Primeiro, dei um “peteleco” no bumbumzinho dela, repetindo que ela devia pedir “por favor”. Mas ela estava bem decidida em teimar. Repeti, mas nada dela ceder. Então, levei ela comigo para a cozinha onde eu estava preparando o café da manhã para a família, e coloquei ela perto de mim, com o narizinho dela na parede. Expliquei com uma voz muito calma que ela poderia sair daí quando ela estava pronto para obedecer. Para mim, parecia tão fácil! Ela queria água. Ela estava desconfortável na parede. Era só falar uma pequena palavra, e tudo se resolvia. Mas, muitas crianças precisam aprender da maneira mais dura. De vez em quando, eu me agachava e perguntava para ela se ela queria falar “por favor”? Ela somente chorava e falava que “NÃO!” E ainda que eu não curto a choradeira nem a teimosia, eu sentia no coração que era muito bom ter a oportunidade de enfrentar a rebeldia no coraçãozinho dela, assim conseguindo “vencer” a luta e ganhar o respeito e obediência dela.

Muitos pais amolecem nessa hora, por não querer ver os filhos desconfortáveis. Mas precisamos se importar muito mais com o caráter dos nossos filhos do que com o conforto deles. Ganhando uma “luta” dessas, teu filho ganha também, pois a vida dele também é abençoada quando ele aprende caminhar na obediência, agradando ao Senhor. Cada lutinha que você ganha enquanto teu filho tem 2 aninhos, é menos uma luta maior na adolescência.

Então, eu perseverei. Decidi ser mais “teimosa” que a minha filha, mais persistente, mais determinada. Pois era pelo próprio bem dela!! Você não vai acreditar o quanto que ela ficou teimando! Ficou uma hora, preferindo estar com sede e com o nariz na parede do que simplesmente obedecer. Difícil acreditar na determinação deles! Mas se você prosseguir até o final de uma confrontação, é muito fácil ter toda a certeza do mundo que fez a coisa certa. NUNCA desiste antes! Como vai saber que fez a coisa certa? Por que vai ver uma mudança no coração do seu filho! É muito obvio quando isso acontece, e nunca terminou uma sessão de disciplina até que houve uma mudança de coração no filho. Nunca.

Depois de mais ou menos uma hora, minha pequena virou outra criança, amável e dócil. É de um momento para outro! Tenho visto isso acontecer com meus filhos tantas vezes, e é muito lindo. Então, eu peguei ela no colo com um grande sorriso e falei, “Fala por favor e mamãe te da o copo”. E ela me deu um sorriso muito simpatico e falou, “por favor”. Dei o copo para ela.

Agora, quando uma confrontação acaba, eu ainda deixo a criança perto de mim por um tempo, não para castigar, mas para testar o coração dela, e também para reforçar um bom relacionamento. Neste caso, pedi um beijo, e ela me deu. Dei um papel para ela e pedi para ela jogar no lixo. Ela fez. Ela não estava emburrada, não estava chateada. Eu não estava brava com ela, nem frustrada com a situação. Era uma grande oportunidade de ensinar obediência para ela!! Que bom!

Depois de um tempinho, ela queria outra coisa. Falei para ela pedir “por favor”, e sabe o que? Ela falou sem hesitar! Valeu a pena investir um tempo do meu dia para uma lição muito importante. Ela aprendeu sobre obediência, respeito, e boas maneiras, e o ambiente do nosso lar ficou mais alegre e tranquilo. A questão não era uma palavra que ela não queria falar; a questão era a condição do coração dela. E é a mesma coisa com os seus filhos. Não se frustre quando eles fazem o que não devem ou não fazem o que devem. É justamente assim que aprendem! É tempo de uma lição! É uma grande oportunidade de moldar o caráter do seu filho, inculcar princípios da Palavra de Deus, e assim guiar ele no caminho que deve andar.

Frustração ou oportunidade? A diferença está na sua atitude.
~ Elizabeth

 

Comments 4

  1. Quero dizer o quanto estes e-mails tem edificado meus dias em família …obrigado pelo carinho e emprenho de cada um de vocês!Deus os abençoe ricamente.

    1. Post
      Author
  2. Obrigada queridos irmãos por tirar um tempo para compartilhar conosco suas experiências e a palavra de Deus.
    Também tem me ajudado e encorajado a continuar a não desistir dos meus filhos.
    Um grande abraço.

    1. Post
      Author

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *